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Prefácio

Em Jeito de Prefácio

César Gomes de Pina

Presidente Honorário da Academia do Bacalhau do Porto
“A memória é a consciência do tempo.” Fernando Pessoa

 

Aqui estou como sou: grato a cada um, comadre, compadre e amigos que comigo fizeram esta viagem de 25 anos da nossa Academia.
Com esta obra cumpro mais um sonho que em mim mora há muito, muito tempo – deixar um testemunho para o futuro, sem esquecer o passado, as nossas raízes, nesta certeza bebida em Garcia Márquez “Aquele que não tem memória arranja uma de papel”.

Hoje – um presente intemporal – a Academia do Bacalhau do Porto faz história dentro e fora de portas, dentro e fora de todas as Academias irmãs, ao atrever-se a colocar no papel, e para memória futura, testemunhos, histórias, mensagens, imagens que de todos os tempos fazem um tempo só – este em que se assinala o 25.º Aniversário, as suas Bodas de Prata.

Movido ao longo de anos pela vontade férrea de não permitir que as modas do virtual e do superficial interfiram com a nossa missão de existir em Portugalidade, em Solidariedade e em Amizade, meti mãos à obra e pés a caminho e eis o que consegui com o apoio franco e espontâneo de todos a quem me dirigi, desde o senhor Presidente da República ao senhor Bispo do Porto, bem como de outras individualidades.

Não posso, nem quero, esconder a honra que para mim tem significado navegar por estas águas e contribuir com o meu trabalho empenhado para fazer desta uma das Academias do Mundo que mais mexe e cresceu em número de associados e de acções culturais, solidárias e de cidadania. Assumimos, com humildade e sem fúteis elitismo, a nossa existência em responsabilidade social e cívica e assim queremos continuar, mantendo vivas e inspiradoras as palavras do nosso Nobel da Literatura: “É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com Sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava”.

Tal como José Saramago, a Academia do Bacalhau do Porto não se acomoda com o passado, teima em ver em cada dia uma oportunidade, insiste em deitar um olhar de gratidão para o passado, para outra geografia, para a África do Sul onde tudo começou há cerca de cinco décadas e atreve-se a convocar o futuro citando o Papa Francisco:

“Nossa vida é um caminho, quando paramos, não vamos para a frente”.

A TODOS, aos de ontem, que partiram e deixaram em nós saudades vivas, aos de hoje que nos acompanham de mãos dadas e coração aberto nesta “cruzada” e aos de amanhã, um caloroso e académico Gavião de Penacho!
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