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Marcelo Rebelo de Sousa

Presidente da República
Marcelo Rebelo de Sousa

“A do Porto diz-me, naturalmente muito (…) E tem um quarto de século e três centenas de Compadres dando expressão a uma Metrópole cheia de garra e de criatividade. (…) Merece um abraço especial (…), agradecendo vinte e cinco anos ao serviço do Porto e, sobretudo, de serviço a Portugal.”

Marcelo Rebelo de Sousa

PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Mensagem de Sua Excelência o Senhor Ex-Presidente da República, no dia 09 de Junho de 2014, para o livro comemorativo dos 25 anos da Academia do Bacalhau do Porto.

“…

Ao Serviço de Portugal

A minha meninice é inseparável da presença simbólica do bacalhau.

Na ceia de Natal, o bacalhau cozido com todos era o prato único, à volta do qual se reunia a Família. Os doces apareciam como meros, ainda que deliciosos, enfeites secundários. Aliás, era todo um ritual que se iniciava mais de um mês antes: a compra bem discutida do bacalhau, a altura da posta, o mais ou menos salgado, o pôr de molho e quando e a batata e os legumes, além do ovo devidamente cozido. Tudo, na minha memória, misturado com a bênção dos bacalhoeiros e a saga do Gil Eanes, numa televisão a preto e branco, muito oficiosa mas muito sugestiva para aqueles tempos. Não mais o bacalhau seria substituído no Natal esmagando o peru, tido por intruso malfazejo. Quando muito, com a chegada dos netos, lá aparecia o bacalhau com natas ou à Gomes de Sá para os miúdos, permanecendo, firme, o velho bacalhau despido de sofisticações para os graúdos.

Nos anos 60, a tradição viajou até Moçambique e, nos anos 70, para o Brasil, acompanhando as aventuras, queridas ou forçadas, de parte da Família. E deu-se bem em todos os continentes, nas mais variadas latitudes e longitudes. Era um embaixador inato da lusitanidade, hoje mais chamada lusofonia. Por isso, quando, mais tarde, o reencontrei, não só nas lides domésticas como nas nossas comunidades espalhadas pelo mundo, senti que era como abraçar um dos nossos, parente ou amigo de infância, com o qual se havia mantido permanente convívio ao longo das décadas.

As Academias do Bacalhau – as cinquenta e seis – eram e são embaixadas de Portugal, cá dentro ou lá fora.

A do Porto diz-me, naturalmente, muito, próxima que se encontra das minhas raízes de Basto. E tem um quarto de século e três centenas de Compadres dando expressão a uma Metrópole cheia de garra e de criatividade. Merece um abraço especial. Ainda mais apertado do que todos os que gosto de distribuir por esse universo, sempre que deparo com o fidelíssimo amigo, para enfatizar dito popular mais do que sabido. Abraço especial, agradecendo vinte e cinco anos ao serviço do Porto e, sobretudo, de serviço a Portugal.

Sim, porque Portugal não se serve só nos palcos mais mediáticos da cena nacional e internacional. Serve-se todos os dias, cultivando fraternidade, e solidariedade e Portugalidade. Nas coisas mais simples e mais verdadeiras. Nos gestos mais naturais e mais marcantes. E mais simbólicos. Como o de fazer do bacalhau um traço de união entre portuguesas e portugueses, no Portugal que partiu e no Portugal que ficou.

…”

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